Poeira do Saara retorna radiação de testes nucleares franceses na década de 60.

Poeira do Saara retorna radiação de testes nucleares franceses na década de 60.

7 de março de 2021 Off Por dekster
Uma vista de Lyon, França, tirada em 6 de fevereiro de 2021, enquanto a poeira do Saara coloria o céu de vermelho.   –   Copyright   Gautier Devoucoux.

A poeira do deserto do Saara soprada para o norte por fortes ventos sazonais para a França não trouxe apenas luz e pôr do sol deslumbrantes – também carregou níveis anormais de radiação.

Segundo a ONG francesa Acro (Associação para o Controle da Radioatividade no Oeste), que monitora os níveis de radiação, a radiação não é considerada perigosa para a saúde humana, mas chegou à França com uma grande dose de ironia.

O efeito “bumerangue” trouxe de volta o césio-137, um produto da fissão nuclear criada em explosões nucleares  realizadas pela França no deserto da Argélia no início da década de 60, quando o país do Norte da África era território ultramarino francês.

“Considerando os depósitos homogêneos em uma ampla área, com base neste resultado analítico, a Acro estima que havia 80.000 bq por km2 de césio-137”, disse em um comunicado.

Uma nuvem bastante espessa está cruzando o Mediterrâneo cobrindo partes da Espanha, França, Reino Unido e Alemanha, entre outros, onde o fenômeno da “chuva de lama” é esperado.

E como a tempestade afeta o interior da Argélia novamente, é provável que as partículas levem de volta algum césio-137 do local do teste nuclear francês realizado em 13 de fevereiro de 1960.

 

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